Infindável mundo da descoberta

Luminária ao canto esquerdo, escrivaninha envernizada e ambiente meia luz. De minha parte, olhar enigmático, todos aqueles detalhes já eram habituais, exceto um título dentre todos os outros na estante, que a princípio incomodará. Não me contive, precisava saciar aquela angústia e descobrir o que tinha por trás da capa em brochura, e logo folheando os poemas, as horas tornaram-se minutos, e a velha poltrona o espaço favorito da casa.

Perdi-me no tempo e chorei momentos que não faziam parte da minha história, mas não se engane, o ficcional não construirá percepções fantasiosas da realidade, pelo contrário, risos de singelos momentos, lágrimas de indecisão; desisto ou enfrento? Mas claro, não anulei a fantasia, incomparável sensação de voar sobre terras e mares, de ser livre dos fardos do mundo real.

Após o caos da descoberta e da construção do ser, me deparo com o desafio da vida: Suportar a realidade! A alma prossegue vazia (ainda que saciando os prazeres), quebro as regras do Estado? Álcool e amores sem compromisso? Não descarto as possibilidades, porém, incomparável êxtase em confeccionar o mundo, me encontro cheio de ideias, desejos de revolução, histórias de amor, meu quadro é terminal, meu tratamento: um papel e uma caneta na mão.

Como qualquer outro no ônibus lotado ou estagnado em alguma fila, desejaria dormir por causa do cansaço, mas hoje não, talvez amanhã no vidro embaçado, anulo o sono no prazer de transformar o habitual em poesia. Olho ao redor, provavelmente pensamentos distantes, no passado e no futuro, raramente a presença no hoje, raramente a presença no mundo, meu autorretrato.

Olhos atentos aos detalhes, do tipo jogado na grama olhando as estrelas, fones no ouvido, toques sutis e acentuados ao piano (outrora rock e mpb). As Inspirações surgem durante os mais inusitados momentos do dia, além de valiosos instantes desconexos, aliás, não conseguiria sem quebrar a rotina. Os dias passam, as falanges seguem regendo a expressividade da alma, e o livro na cabeceira da cama aguardando o fim de cada agenda lotada.

Diego Rodrigues Silva Aguiar
© Todos os Direitos Reservados

3 comentários em “Infindável mundo da descoberta”

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